Hoje foi a juventude! Amanhã será…

02/07/2015 at 08:51 Deixe um comentário

“Não façais da casa de meu pai uma casa de comércio.” (Jo 2,16)

Em tempos onde as matérias de interesse de uma elite opressora são votadas no Congresso até que sejam aprovadas, passando por cima de tudo e de todos, segue uma reflexão de José Luiz Possato Jr., assessor do CEBI-RS, sobre a redução da maioridade penal.

DOS 18 AOS 16: A CHAVE DO NEGÓCIO

FB_IMG_1433042169571[1]Às vésperas de sua votação na Câmara Federal, urge saber se já foi feita a pergunta-chave da questão: a quem serve a redução da maioridade penal? Os defensores querem nos fazer acreditar que estão preocupados com a segurança da população, ou melhor, dos homens (e mulheres?) de bem da nossa sociedade. Mas, diante do histórico de nossa classe política, acreditem: deve haver outra explicação.

Partindo da suspeita de que os políticos sempre defendem seus próprios interesses e os de quem os patrocina, você já parou para se perguntar quem são os doadores de campanha dos apoiadores da redução? Conhece o ramo de atividade de empresas como a Umanizzare Gestão Prisional? Sabe dizer quem lucraria, caso o sistema prisional brasileiro fosse totalmente privatizado, com o aumento da população carcerária?

O Brasil já é uma fábrica de presidiários há algum tempo. Não por acaso, temos a 4ª maior população carcerária do planeta. Se adotarmos a redução, então… Baita negócio (para quem vê isso como um negócio, business), não é mesmo!? Curiosamente, o líder mundial já adota o mínimo de 16 anos em algumas de suas federações, mas estuda aumentar a maioridade penal. Estou falando dos EUA. Os estudos lá apontam que, entre os adolescentes, os tratamentos de reabilitação são mais eficazes do que a punição. Oh, descobriram a América!

As razões para a redução são evidentes. Mas quem liga para razões? Estamos em 33 d.C. A farsa, digo, o tribunal está em sessão. O suspeito é um galileu. Após ouvir as acusações, Pilatos, o juiz, pergunta ao réu: “Sendo tu um zé-ninguém, é verdade que queres ser rei, isto é, um líder independente de Roma?” O sujeito à sua frente, já sabendo qual o veredicto, decide não pactuar com a armação e recusa-se a representar o seu papel, finge esquecer sua fala. Seu silêncio é constrangedor. O tribuno lança uma nova deixa: “O que tens a dizer?” O outro nada responde. A plateia já ameaça umas vaias. Então o roteirista introduz um novo quadro: você decide! Chamam uma nova personagem, um black block. O rapaz foi às ruas manifestar sua indignação, houve um confronto com a guarda romana, alguém disse que ele e seus comparsas estavam bêbados, ninguém soube muito bem como começou a briga, um policial foi mortalmente ferido. E então? Quem vocês querem que eu solte? O baderneiro ali, ou esse outro que quer viver livre do poder romano? A escolha é fácil, pois acusação mesmo só há contra um dos candidatos. Mas quem patrocinou o espetáculo quer ver a execução do outro, o que é contrário ao financiamento das campanhas imperiais. E tudo por quê? Porque o cidadão resolveu denunciar a corrupção e os verdadeiros interesses da bancada sacerdotal. Vai daí que se inicia no meio dos presentes – gente de bem, gente muito séria, mas muito favorável ao status quo – um burburinho. “O fulano é de Nazaré. Diz aí: de lá pode sair coisa boa? Não sei muito bem o que ele fez, mas… e se fosse com o seu filho? Fosse com o meu filho o quê? Sei lá! Mas, e se fosse?” Bastou que um começasse para todos gritarem: “Solte Barrabás!” E o cabeludo? “Crucifique-o!”

Os jovens que hoje estão aí, em vias de serem presos, são também uma denúncia: a constatação de que o Estado falhou. O que resta fazer com quem não tem respeitado o direito à vida? Com quem não tem moradia digna, nem alimentação saudável e balanceada, nem incentivos para o lazer e a prática do esporte, não tem acesso ao espaço público, muito menos educação de qualidade? Melhor encarcerá-los do que mantê-los à vista da gente de bem. Afinal, a consciência só dói quando o problema está à nossa frente. Eles são, enfim, a denúncia de que há pobres em nosso meio. Ora, se eles estão aí é porque há também os que acumulam riqueza. Para estes, não interessa se é razoável a máxima de que o tratamento é melhor do que a punição. Afinal, para que desperdiçar os insumos de um grande negócio à vista?

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