Bíblia e Hermenêuticas Juvenis – Penúltima Etapa

16/09/2013 at 20:35 Deixe um comentário

Nos dias 17 e 18 de agosto, no CEPA – São Leopoldo, foi realizada a penúltima etapa do curso de Bíblia e Hermenêuticas Juvenis, aberto para jovens de todo o Estado. Atenta ao sinais dos tempos, a equipe de organização ajustou a temática aos recentes acontecimentos que levaram uma parcela considerável da população às ruas. Assim, à luz dos Evangelhos, os participantes buscaram descobrir qual o papel da juventude na sociedade.

Conduzindo o primeiro bloco, Edson André Cunha Thomassim, assessor da Trilha Cidadã, demonstrou quais os rostos juvenis das manifestações. Mostrando, primeiramente, que não se tratava de um fenômeno desconexo da realidade mundial, ainda que tardio, o Pe. Edinho identificou a participação, no mesmo movimento, de duas forças opostas: os coletivos juvenis individualizantes (Levante Popular, juventudes partidárias, Movimento Juntos, anarquistas etc.) e os chamados jovens nacionalistas. Estes, representando o “Gigante acordado”, isto é, a classe média burguesa, gritavam contra a corrupção, o Renan Calheiros e a presidente Dilma, por um lado, e a presença de bandeiras político-partidárias nos manifestos, por outro. Além disso, defendiam temas como a aprovação da PEC 37 e a redução da maioridade penal, tão caros à mídia global. O outro grupo (ou grupos), por sua vez, subdividia-se em coletivos organizados, com pautas similares em alguns aspectos, mas individualizadas. Embora representantes de uma mesma classe social, cada grupo defendia seu território, dificilmente dialogando com os demais. Em todo caso, levantou-se ainda, como ponto positivo, o fato de os jovens ocuparem as ruas.

Logo após, José Luiz Possato Jr., assessor do CEBI-RS, retomou a questão do individualismo dos coletivos juvenis. Outro grupo foi acrescido à análise, o dos jovens que não foram às ruas, trazendo à tona uma preocupação das/dos cursistas – “somos poucos”. Zé Luiz procurou demonstrar como é perigosa a tentação de sermos massa, em vez de fermento. O texto de Mc 1,16-19 demonstrou como a primeira comunidade cristã contava com apenas quatro pescadores. Visitando outros textos, as/os participantes perceberam que foram criadas várias comunidades, com sua maneira própria de viver a Boa Nova. Isso gerou atrito entre os seguidores. Alguns achavam que os não pertencentes à sua linha/tradição/experiência de Cristo não poderiam falar em nome d’Ele (Lc 9,49). Entretanto, a resposta de Jesus (v.50) levou-os a entender a diferença entre unidade e uniformidade: “Quem não é contra vocês, está a favor de vocês”. Da mesma forma, em nossos dias, os coletivos juvenis devem perceber o quanto é importante agir em rede, e que isso não implica perder sua identidade.

No domingo, levantando pistas para ação, o grupo se propôs a retomar um projeto pensado na terceira etapa do curso: O SerCom. O nome indica que não basta estar com a juventude empobrecida; é necessário SER COM ela. Para as/os participantes, o fermento só pode levedar a massa quando se misturar a ela, quando se tornar parte dela. De alguma forma, algumas e alguns já fazem isso. Jovens de São Leopoldo, por exemplo, participam do Bloco “Na Rua São Léo”, que pretende avançar com as reivindicações das manifestações acontecidas no município. Também em Pelotas, onde os grupos continuam se organizando, existe a proposta de discutir política nas escolas. Agora, porém, é hora de intensificar o que já está sendo feito, buscar atuar em rede, chamando para o diálogo os grupos que ainda agem de forma individualista.

Ao final, decidiu-se que o próximo encontro tratará a questão das identidades culturais e juvenis. Será, também, o encerramento do curso. Tendo atraído jovens católicos romanos e luteranos de várias regiões do Estado, a iniciativa será, enfim, avaliada. Após, será feito um planejamento para os anos seguintes. Além disso, as/os cursistas apresentarão um trabalho de conclusão onde constarão suas reflexões sobre algum dos temas trabalhados ao longo desses dois anos. Feitos os encaminhamentos, o evento foi concluído com uma celebração de envio.

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