Archive for setembro, 2013

Bíblia e Hermenêuticas Juvenis – Penúltima Etapa

Nos dias 17 e 18 de agosto, no CEPA – São Leopoldo, foi realizada a penúltima etapa do curso de Bíblia e Hermenêuticas Juvenis, aberto para jovens de todo o Estado. Atenta ao sinais dos tempos, a equipe de organização ajustou a temática aos recentes acontecimentos que levaram uma parcela considerável da população às ruas. Assim, à luz dos Evangelhos, os participantes buscaram descobrir qual o papel da juventude na sociedade.

Conduzindo o primeiro bloco, Edson André Cunha Thomassim, assessor da Trilha Cidadã, demonstrou quais os rostos juvenis das manifestações. Mostrando, primeiramente, que não se tratava de um fenômeno desconexo da realidade mundial, ainda que tardio, o Pe. Edinho identificou a participação, no mesmo movimento, de duas forças opostas: os coletivos juvenis individualizantes (Levante Popular, juventudes partidárias, Movimento Juntos, anarquistas etc.) e os chamados jovens nacionalistas. Estes, representando o “Gigante acordado”, isto é, a classe média burguesa, gritavam contra a corrupção, o Renan Calheiros e a presidente Dilma, por um lado, e a presença de bandeiras político-partidárias nos manifestos, por outro. Além disso, defendiam temas como a aprovação da PEC 37 e a redução da maioridade penal, tão caros à mídia global. O outro grupo (ou grupos), por sua vez, subdividia-se em coletivos organizados, com pautas similares em alguns aspectos, mas individualizadas. Embora representantes de uma mesma classe social, cada grupo defendia seu território, dificilmente dialogando com os demais. Em todo caso, levantou-se ainda, como ponto positivo, o fato de os jovens ocuparem as ruas.

Logo após, José Luiz Possato Jr., assessor do CEBI-RS, retomou a questão do individualismo dos coletivos juvenis. Outro grupo foi acrescido à análise, o dos jovens que não foram às ruas, trazendo à tona uma preocupação das/dos cursistas – “somos poucos”. Zé Luiz procurou demonstrar como é perigosa a tentação de sermos massa, em vez de fermento. O texto de Mc 1,16-19 demonstrou como a primeira comunidade cristã contava com apenas quatro pescadores. Visitando outros textos, as/os participantes perceberam que foram criadas várias comunidades, com sua maneira própria de viver a Boa Nova. Isso gerou atrito entre os seguidores. Alguns achavam que os não pertencentes à sua linha/tradição/experiência de Cristo não poderiam falar em nome d’Ele (Lc 9,49). Entretanto, a resposta de Jesus (v.50) levou-os a entender a diferença entre unidade e uniformidade: “Quem não é contra vocês, está a favor de vocês”. Da mesma forma, em nossos dias, os coletivos juvenis devem perceber o quanto é importante agir em rede, e que isso não implica perder sua identidade.

No domingo, levantando pistas para ação, o grupo se propôs a retomar um projeto pensado na terceira etapa do curso: O SerCom. O nome indica que não basta estar com a juventude empobrecida; é necessário SER COM ela. Para as/os participantes, o fermento só pode levedar a massa quando se misturar a ela, quando se tornar parte dela. De alguma forma, algumas e alguns já fazem isso. Jovens de São Leopoldo, por exemplo, participam do Bloco “Na Rua São Léo”, que pretende avançar com as reivindicações das manifestações acontecidas no município. Também em Pelotas, onde os grupos continuam se organizando, existe a proposta de discutir política nas escolas. Agora, porém, é hora de intensificar o que já está sendo feito, buscar atuar em rede, chamando para o diálogo os grupos que ainda agem de forma individualista.

Ao final, decidiu-se que o próximo encontro tratará a questão das identidades culturais e juvenis. Será, também, o encerramento do curso. Tendo atraído jovens católicos romanos e luteranos de várias regiões do Estado, a iniciativa será, enfim, avaliada. Após, será feito um planejamento para os anos seguintes. Além disso, as/os cursistas apresentarão um trabalho de conclusão onde constarão suas reflexões sobre algum dos temas trabalhados ao longo desses dois anos. Feitos os encaminhamentos, o evento foi concluído com uma celebração de envio.

Anúncios

16/09/2013 at 20:35 Deixe um comentário

Carta compromisso da 5ª Semana Social Brasileira

bunner

A assembleia da 5ª Semana Social, promovida pela Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida no Centro Cultural de Brasília-DF, de 2 a 5 de setembro de 2013, analisou a realidade brasileira e global, escutou os clamores populares e celebrou a caminhada dos movimentos sociais e das igrejas, na defesa e na promoção da vida.

Este processo, que acontece há vinte anos, tem contribuído no debate com a sociedade para proposições de iniciativas para a superação das desigualdades sociais e regionais.

É um esforço conjunto das organizações sociais na defesa dos direitos humanos e da natureza como expressão da solidariedade e da profecia cristã.

É exigência da fé, amar a Deus e ir ao encontro do outro, sobretudo, dos pobres e necessitados. Pois “os pobres são os juízes da vida democrática de uma nação” (Exigências Éticas da Ordem Democrática, nº 72, CNBB, Doc nº 42, 1989).

As manifestações de rua que acontecem no país desde junho deixam um alerta para a sociedade. Não é mais possível negar os direitos e a participação dos cidadãos/as invisibilizados/as.

O modelo desenvolvimentista assumido pelo Estado Brasileiro atual, baseado em políticas compensatórias, submete a nação às determinações da mundialização neoliberal em crise, reprimariza a economia, explorando os bens naturais e humanos para a exportação, transformando-os em commodities. Este modelo viola o direito dos povos e ameaça a vida do planeta, impactando as comunidades rurais e urbanas, as classes trabalhadoras e a população em geral.

A 5ª Semana Social Brasileira, ao debater sobre o Estado para que e para quem, procurou dar vez e voz ao conjunto da sociedade, bem como dos povos e comunidades impactadas pelas políticas do Estado, em sintonia com os clamores das ruas e suas reivindicações. Estes são novos sujeitos políticos no processo de construção da sociedade e do Estado do Bem Viver, conviver, pertencer e ser. Seus fundamentos são a solidariedade, a fraternidade e a sustentabilidade para garantir vida plena às gerações presentes e futuras.

Reconhecemos os avanços que a sociedade conquistou nas últimas décadas, conscientes de que essas vitórias estão ameaçadas pelo desmonte constitucional. Por isso, comprometemos-nos na refundação de um Estado de inclusão e de igualdade social. O protagonismo dos movimentos sociais garantirá um Estado que se fundamente na democracia direta, participativa e representativa. Acreditamos nos sinais de esperança presentes na sociedade e nas igrejas que apontam para um novo Estado e uma nova sociedade.

Para construir o Estado que queremos, assumimos os seguintes compromissos:

1) Defender o trabalho para todos/as. Trabalho digno e não precarizado. Nenhum direito a menos. Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução dos salários como repartição dos abusivos ganhos de produtividade do capital. Reaparelhamento do aparato fiscalizador do Ministério do trabalho. Fortalecer a Economia Popular Solidária como uma política de Estado.

2) Promover a formação para a cidadania, apoiando a proposta da Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas e da convocação de um plebiscito para uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva. Participar da campanha saúde +10; 10% do orçamento da União para a educação e os demais direitos sociais; contra a privatização dos serviços públicos.

3) Retomar e fortalecer a metodologia das Assembleias Populares, com a criação de Tribunais Populares, pela democratização do Judiciário e do acesso à justiça e a reestruturação do Sistema de Segurança pública, visando à construção de um Estado defensor dos direitos humanos e ambientais.

4) Apoiar a Reforma Agrária, a agricultura familiar e agroecológica; o reconhecimento dos territórios dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais: camponeses, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas, recicladores, e demais grupos sociais fragilizados, cujos direitos são garantidos pela Constituição Federal e que não são cumpridos.

5) Fortalecer a Campanha pela Democratização dos Meios de Comunicação Social e participar de fóruns específicos.

6) Garantir a efetivação dos Conselhos de Juventudes para o controle social das políticas públicas; assumir a campanha contra o extermínio de jovens, principalmente pobres e negros; contra a redução da maioridade penal e a violência às mulheres.

7) Incentivar políticas de defesa civil, com participação da sociedade, para a prevenção dos impactos socioambientais dos projetos desenvolvimentistas e a proteção e garantia de direitos das populações afetadas.

8) Exigir do Governo Federal a implementação do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil e que haja sua efetiva participação.

9) Incentivar a criação e o fortalecimento dos fóruns populares que monitoram e propõem políticas urbanas nos bairros, nas regiões administrativas e nos municípios.

10) Informar e mobilizar a sociedade sobre a gestão dos recursos públicos, participando de campanhas pela revisão da distribuição orçamentária da União; por uma reforma tributaria progressiva e participativa; contra uma política de endividamento público e de gestão do orçamento social e ambiental irresponsável. Exigir do governo o fim dos leiloes do petróleo, pela plena reestatização da Petrobras, bem como a auditoria da dívida pública, conforme o artigo 26 das Disposições Transitórias da Constituição Federal.

Dentre estes compromissos, destacamos a urgência pela:

1- Reforma política

2- Demarcação das Terras Indígenas, dos Territórios Tradicionais, dos Quilombolas e Pesqueiros

3- Solicitar ao papa Francisco que convoque um evento internacional sobre a Vida no Planeta

Apoiamos a reforma política que garanta a soberania popula; a Campanha da Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas; a convocação do Plebiscito Popular para uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva; a Campanha pela Demarcação dos Territórios Tradicionais e Pesqueiros.

Concluímos afirmando nosso apoio ao papa Francisco na renovação da Igreja.

Brasília – DF, 5 de setembro de 2013

12/09/2013 at 22:31 Deixe um comentário

Estudo Bíblico em Santo Ângelo

Estudo Bíblico Ecumênico promovido pelo Conselho das Igrejas Cristãs de Santo Ângelo

O que pode representar de forma mais evidente a vivência do ecumenismo do que um grupo de homens e mulheres sentados lado a lado em torno da Palavra de Deus? Pessoas empenhadas em viver no cotidiano os valores evangélicos herdados de Jesus de Nazaré?

Foram momentos muito especiais, acontecidos nos dias 05 e 06 de julho, quando realizamos mais um estudo bíblico com assessoria do CEBI.

Foi bonito de ver!

O tema, provocador e instigante: o livro do Apocalipse de João.

Nossa pertença a comunidades cristãs diversas em nada revelava divisões. Permanecia o essencial, aquilo que nos une enquanto igrejas cristãs: a profissão da mesma fé em Deus, revelado em Jesus Cristo, e o mesmo olhar sobre a vida.

A vida é ecumênica!

E foi essa a marca de nosso estudo: o mesmo olhar, curioso e atento, buscando saber o que João nos revela no Apocalipse. A companhia e orientação não poderiam ser melhores: Pastor Robson, que de forma didática e clara conduziu nosso estudo e nos ajudou a aprofundar o texto.

O tempo passou rápido e, ao final, ficou um gostinho de “quero mais”, gostinho esse que poderá ser saciado no próximo encontro, a ser realizado nos dias 18 e 19 de outubro próximo.

Louvado seja o Senhor pelos momentos de reafirmação de nossas convicções! Louvado seja seu Santo Espírito, que sopra quando e onde quer, e certamente soprou em nosso encontro! Louvado seja Jesus, que nos reuniu no seu amor!

Santo Ângelo, agosto de 2013.

Marly L. Marchetti

03/09/2013 at 22:29 Deixe um comentário


FACEBOOK

Cursos Online no CEBI

Estatísticas do site

  • 18,567 hits

Tópicos recentes

Fotos no Flickr

Twitter CEBI-RS