Archive for junho, 2013

QUEM TÁ NA RUA É PRA…

Texto de: José Luiz Possato Jr.
Baseado nas reflexões dos grupos juvenis de estudos bíblicos do CEBI-RS
 

E o caldeirão, ou melhor, a panela de pressão popular está em ebulição. O movimento que começou com jovens estudantes (cabe aqui o reconhecimento, já que eles sempre são vistos como irresponsáveis ou desinteressados), devido ao aumento das passagens de ônibus, foi o estopim de uma série de protestos por todo o Brasil. Dizem que o gigante deitado em berço esplêndido finalmente acordou. Deve ser verdade, pois parece movimentar-se de modo bem desorientado, como quem acabou de sair da cama. Os gritos da rua são fortes, mas dispersos, cada manifestante expressando o sentimento que lhe convém, sem um tema comum que dê sentido aos protestos. Sobra vontade de lutar, falta um elo norteador.

O terreno é fértil para manipuladores. Grupos organizados, especialistas em manter a população sob controle, foram aos poucos se infiltrando, fazendo muito barulho e, aproveitando-se de um cenário real de injustiça e corrupção (existentes desde sempre, apesar da extrema-direita insistir que tenham sido inventadas pelo PT), tornaram gradualmente uníssono um desejo: “Fora, Dilma!” É a tentativa de reproduzir o movimento dos caras-pintadas, que culminou no impeachment do Collor. Lutam por tirar as bandeiras esquerdistas de cena, alegando que as manifestações devem ser apartidárias, mas fazem convenientemente o jogo da oposição ao Governo Federal. Isso é tão óbvio que chega a ser impressionante como a maioria dos participantes não percebe e entra no embalo.

Há dois meses, dois encontros de Bíblia e Juventudes – um em São Leopoldo, outro em Santana do Livramento – falavam também de um povo que clamava no deserto. Estávamos, ainda, sob os efeitos dolorosos da tragédia em Santa Maria. Líamos com grande expectativa o primeiro capítulo do Evangelho de Marcos. O povo indo atrás de João Batista, buscando o seu batismo como alternativa aos ritos purificantes (e excludentes) do Templo em Jerusalém. Jesus sendo batizado e recebendo sua missão no Rio Jordão. A formação do primeiro grupo de discípulos, a prisão de João e o início da missão de Cristo. É inevitável comparar aquelas reflexões ao que está acontecendo agora.

Cada encontro tratou de um tema diferente. O de São Léo falou sobre Políticas Públicas para a Juventude. Em Livramento, onde os participantes estavam notavelmente mais sensibilizados com a tragédia da Boate Kiss, já que lá perderam parentes e amigos, o assunto foi o cuidado com a vida e a construção de relações solidárias. O pano de fundo em ambos, porém, era a violência e o extermínio de jovens. Por isso, percebendo que, conforme Mc 1,14, Jesus abraçara sua missão somente após a prisão de João Batista, perguntávamos: “Que Joões ainda precisam ser presos, isto é, o que falta acontecer para tomarmos uma atitude?” O questionamento foi um senhor chacoalhão para os participantes, que se sentiam acomodados. Entretanto, nem a previsão mais otimista daria conta de que, sessenta dias depois, o povo tomaria as ruas.

A coincidência dos fatos é tão grande que, certamente, muitos dos presentes aos encontros lançaram-se porta afora, certos de que o momento havia chegado. Porém, é preciso calma e muito discernimento para não sermos arrastados pelas primeiras impressões. Os mais atentos provavelmente se lembraram de duas coisas:

1º) Qual a missão de Jesus e de que fonte Ele a recebeu? Os versículos 11 e 12 de Marcos são retirados de Is 42,1, onde se lê: “Vejam o meu servo, (…) nele tenho o meu agrado. Eu coloquei sobre ele o meu espírito, para que promova o direito entre as nações”. Ora, o direito, segundo o mesmo Isaías, era fazer justiça aos pobres (órfãos, viúvas, estrangeiros etc.). Hoje, quem são os pobres e quem está a favor deles? Que dizem essas pessoas ou grupos sobre as manifestações? Eles tomam parte nisso? De que forma? Essa última questão nos remete ao segundo ponto, que é…

2º) De que maneira Jesus organizou sua revolução? As pessoas punham seus camelos na estrada e protestavam contra tudo e contra todos? Parece que não… Primeiro, o Nazareno anunciou a chegada de um novo tempo e exigiu mudança de atitude (v.15). Depois, formou grupos pequenos (vv. 16 a 20). Por fim, demonstrou que o espírito do grupo deveria ser de doação e serviço ao próximo (v. 21 em diante).

Por mais que as massas o procurassem – e Ele dedicasse algum tempo a atendê-las – Jesus sempre recusou a popularidade fácil (vv. 35 a 39). Ele sabia que multidão desordenada logo vira rebanho, ajuntamento sem capacidade de reflexão, guiado apenas pelo cajado de um pastor. Organizando seus seguidores em pequenos grupos (como os doze apóstolos, o círculo de mulheres, o núcleo de Betânia etc.), em apenas três anos, Cristo mudou definitivamente o mundo.

Pensando agora, sob esse novo olhar, será que fazem tanto sentido assim essas manifestações? Pelo que estamos lutando mesmo? O gigante acordou? Que gigante é esse? Será um monstro devorador de criancinhas? Em São Paulo, prefeito e governador disseram que baixaram as passagens, mas terão que subir outros impostos (PT e PSDB juntos… fim dos tempos?). Abasteci hoje meu carro e fui surpreendido com o aumento de R$ 0,20/litro da gasolina. Será que o gigante põe medo em nossas autoridades? Sabemos exatamente o que queremos? Estamos atingindo nossos objetivos assim? Haveria outra forma? O que isso exigiria de nós? Estamos dispostos?

O caminho é longo e não se resolve em alguns confrontos com a polícia militar. O lado bom é que, de uma hora para outra, todos se interessaram por assuntos como o funcionamento dos impostos, os royalties do pré-sal, a tal de PEC 37… Os movimentos sociais estão com a faca e o queijo na mão. Esta é a nossa melhor chance de mobilizar a nação. Vamos para as ruas, sim, mas de forma organizada. Lutemos para que o Brasil realmente seja de todas e de todos.

28/06/2013 at 13:53 Deixe um comentário

III REUNIÃO CREDEIR – REGIONAIS SUL

III REUNIÃO DAS COMISSÕES REGIONAIS PARA O ECUMENISMO E O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO (CREDEIR) – REGIONAIS SUL I, II, III e IV DA CNBB

 

A razão do agir ecumênico não é apenas sociológica.

É, antes, “evangélica, trinitária e batismal” (DAp, n. 228).

 

Coordenação de SP, PR, SC e RSDias 3 e 4 os representantes das Comissões para o Ecumenismo da ICAR, dos estados de SP, PR, SC e RS,  estiveram reunidos em Florianópolis, a fim de refletirem sobre os caminhos do ecumenismo no Brasil e na região sul e São Paulo. O TEMA: A MÍSTICA E OS DESAFIOS ATUAIS PARA O DIÁLOGO ECUMÊNICO E INTER-RELIGIOSO
Estiveram presentes

apresentação D. BiasinPe. Bizon, SP; Edoarda, RS; Dom Biasin, RJ; Marcio, SC; Pe. Clair, SC; Dom Manoel, SC; Pe. Léo, RS; Dom Sinésio, RS; Pe. Raul, SC; Pe. Elias, SC; Ir. Irma, SC; Ademir, Secretário do Regional SC;

Dom Biasin apresentou o tema “A Mística do Diálogo” Edison Costa apresentou “A atualidade do movimento ecumênico: conquistas, impasses, perspectivas”
Os estados partilharam os trabalhos que estão realizando, perspectivas e dificuldades na caminhada.
Edison apresentou a situação no Mutirão Ecumênico, que ocorrerá em outubro – 18 a 20, no Paraná, em Almirante Tamandaré.
O grupo refletiu e sugeriu alguns pontos a serem trabalhados ao longo dos próximos meses.

Propostas do grupo

  • Animar as dioceses para que tenham um grupo ou uma pessoa responsável pela animação; Formação das comissões regionais;
  • A coordenação regional fazer um trabalho corpo-a-corpo nas dioceses e nos grupos ecumênicos, a fim de fortalecer e buscar indicação de pessoas;
  • Levar aos grupos ecumênicos a proposta de assumirem a CF 2014 – Tráfico Humano e Trabalho Escravo;
  • Formação ecumênica: nos regionais, institutos de teologia, grupos de famílias, na catequese;
  • Divulgar a causa ecumênica: rádio – programas produzidos pelaapresentação Edison Conferência  Nacional; revista – para o diálogo ecumênica (primeiro número sairá dia 22 de julho) – promover a divulgação e a busca de assinaturas;
  • Animar os eventos, pastorais, espaços de formação,  para serem espaços organizados ecumenicamente; que nestes espaços o ecumenismo seja, quando relevante, mencionado e/ou divulgado;
  •   Abrir diálogo com a catequese, buscando a formação nas bases. Levar aos catecúmenos a importância do Outro, dos diferentes, a mística do diálogo.

14/06/2013 at 20:00 Deixe um comentário


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